
‘Ambient 1: Music for Airports’, álbum seminal de Brian Eno, será executado ao vivo dentro do Aeroporto de Manchester, na Inglaterra, em 20 de setembro. Seis músicos da orquestra Manchester Camerata farão duas apresentações integrais do disco, ambas gratuitas.
As sessões serão abertas a passageiros em trânsito pelo aeroporto e a um número limitado de convidados que não estiverem viajando. O evento integra o Here We Are, série de apresentações gratuitas que a Camerata realiza em diferentes pontos da região de Manchester ao longo de setembro.
Primeira vez em quase 20 anos
Será a primeira execução do álbum em um aeroporto britânico em quase duas décadas. A última ocorreu em 2006, quando o coletivo de música contemporânea Bang On A Can apresentou sua versão no Aeroporto John Lennon, em Liverpool.
Lançado em 1979 pelas gravadoras E.G. e Polydor, ‘Ambient 1: Music for Airports’ foi o primeiro trabalho de Eno a levar o rótulo “ambient”, ainda que não fosse sua primeira incursão no estilo. Construído a partir de camadas sobrepostas de loops de fita, o disco foi concebido como uma instalação sonora destinada a reduzir a ansiedade de quem espera por um voo.
A ideia de tocar o disco no ambiente para o qual ele foi imaginado já rendeu outras iniciativas. Em 2018, o London City Airport celebrou os 40 anos do álbum reproduzindo-o em loop contínuo durante todo o dia.
Aeroportos como espaço musical
No ano passado, o produtor Jordan Rakei, indicado ao Grammy, lançou ‘Music For Heathrow’, álbum feito inteiramente com gravações de campo captadas no aeroporto londrino, em referência direta ao trabalho de Eno.
A relação entre aeroportos e cultura de clube também tem exemplos recentes. Em setembro de 2023, o antigo aeroporto de Tegel, em Berlim, desativado em 2020, foi transformado em clube e espaço cultural. No próprio Aeroporto de Manchester, um bar do Terminal 2 foi reformado neste ano com temática inspirada no Haçienda, casa noturna histórica da cidade, e passou a receber DJ sets para viajantes.
Para o público de música eletrônica, a apresentação em Manchester tem valor simbólico: coloca um dos discos fundadores do ambient de volta ao contexto funcional que motivou sua criação, quase meio século depois.
Fonte: DJ Mag
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