
Toda a comitiva de turnê do Massive Attack foi detida e interrogada pela polícia de Singapura depois que a banda exibiu uma bandeira da Palestina durante show no país. O grupo britânico relatou o episódio em publicação no Instagram no dia 2 de agosto, três dias após a apresentação no Star Theatre, realizada em 29 de julho.
Segundo o comunicado, os integrantes foram isolados e questionados individualmente. A banda afirmou ainda que alguns membros tiveram os quartos de hotel revistados e os passaportes confiscados temporariamente.
O que aconteceu no show
De acordo com o grupo, parte da plateia puxou gritos de “Free Palestine” durante a apresentação. A banda se juntou ao coro e, em seguida, exibiu uma bandeira palestina no palco.
As autoridades de Singapura aplicaram advertências formais a dois integrantes não identificados, proibiram a entrada deles no país e informaram que futuros pedidos para que o Massive Attack se apresente no território não serão aprovados.
“Ficamos surpresos e decepcionados por toda a nossa banda ter sido detida”, afirmou o grupo, acrescentando que não acreditava que exibir a bandeira “violaria qualquer lei”.
O comunicado diz ainda que os integrantes se sentiram “orgulhosos” por terem feito aquela “expressão improvisada” junto ao público presente. Ao final, o grupo agradeceu às plateias de Singapura e pediu que o governo do país proteja a liberdade de expressão.
Histórico de posicionamento
Formado em Bristol no fim dos anos 1980, o Massive Attack é um dos nomes centrais do trip hop e mantém há décadas um histórico de posicionamentos políticos em shows, com uso de painéis de LED e mensagens de texto projetadas durante as apresentações. A banda também já adotou medidas para reduzir a pegada de carbono de suas turnês.
Singapura tem legislação restritiva sobre manifestações e demonstrações públicas de cunho político, incluindo em eventos culturais e apresentações artísticas. O governo do país não havia se pronunciado publicamente sobre o caso até a publicação do comunicado da banda.
O episódio reacende o debate sobre os limites de manifestação de artistas em turnês internacionais, especialmente em mercados com regras mais rígidas sobre expressão política em espaços públicos.
Fonte: Resident Advisor
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