
Thomas Bangalter, metade do Daft Punk, afirmou que não tem interesse no uso criativo da inteligência artificial. A declaração foi feita em entrevista a Yana Peel, presidente de Artes, Cultura e Patrimônio da Chanel, durante a Art Basel, em Basileia, na Suíça, em junho. O vídeo foi divulgado no canal da marca no YouTube em 29 de julho.
Ao comentar seu processo criativo atual e os avanços tecnológicos recentes, o músico francês disse não estar “realmente interessado no uso criativo da inteligência artificial”.
“A parte mais interessante do processo criativo não acontece de forma alguma em um nível intelectual. É quando você está passando por um processo que tem a ver com entender os seus sentimentos.”
Mais um nome a se distanciar da IA
Bangalter é o mais recente artista de peso a marcar distância da tecnologia. Em 2025, o pioneiro do synth-pop Gary Numan declarou acreditar que a inteligência artificial vai “acabar com a humanidade” e tornar os músicos descartáveis.
O posicionamento chega em um momento de disputa aberta entre a indústria musical e as plataformas generativas. Na semana passada, o Tribunal Regional de Munique condenou a Suno por usar sem licença o repertório representado pela sociedade alemã GEMA no treinamento de seus modelos, em decisão considerada um marco na Europa.
Retorno discreto aos palcos
A entrevista não foi a única passagem de Bangalter pela Art Basel neste ano. O produtor fez uma aparição surpresa em uma “festa sem celulares” organizada pela plataforma de eventos art.klub, apresentando-se para o público no centro de exposições Messe Basel com um setup modular feito sob medida, composto por baterias eletrônicas e sintetizadores analógicos.
A escolha de equipamentos inteiramente analógicos dialoga com o discurso do músico sobre processo criativo. Desde o encerramento do Daft Punk, em 2021, Bangalter tem evitado o formato tradicional de shows de música eletrônica e se dedicado a projetos fora do circuito de clubes e festivais, entre eles a trilha do balé “Mythologies”, lançada em 2023.
Um debate que atravessa a cena
A discussão sobre inteligência artificial divide a música eletrônica. De um lado, produtores que enxergam nas ferramentas generativas uma extensão natural de décadas de experimentação com máquinas, sampleadores e software. De outro, artistas e selos preocupados com a origem dos dados usados no treinamento dos modelos e com o efeito da produção automatizada sobre a remuneração em plataformas de streaming.
O Daft Punk construiu boa parte de sua identidade em torno da imagem de robôs e da relação entre humano e máquina, o que dá peso simbólico adicional à fala de Bangalter. A ironia não passou despercebida entre fãs nas redes sociais após a divulgação da entrevista.
O músico não detalhou se pretende lançar novo material em breve.
Fonte: Mixmag
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